Todos os dias, acordo às 5:35 da manhã. A cada cinco minutos, até às 5:52, meu celular desperta. Sim, eu já quis jogá-lo na parede, e sim, já cheguei a ouvir o toque do despertador enquanto andava pelas ruas, de tão impregnante que é. Então, tecnicamente, as 5:55 estou de pé. Tenho exatos vinte minutos pra ficar pronta, sair correndo e pegar um ônibus. Esclareço aqui a primeira vantagem: exercício físico. Tenho que sair correndo, com salto/bolsa/sacola/coque desmanchando e entrar no famoso espaço chamado "ônibus". Tenho fé que você identificou minha ironia: aquilo não é um ônibus, não é uma lata de sardinha: é uma lata de atum. É tanta gente, tanta coisa, tanto povo, que me sinto um dos pedacinhos de atum enlatado que compramos no mercado. O primeiro sofrimento é chegar na roleta. Há pessoas em todos os lugares: na escadinha da entrada, nas portas laterais, no motor, na roleta, nos corredores, no chão, até no teto, se bobear. Mas, aí, você consegue passar a roleta. E pre...