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Amor próprio

Hoje é sábado. Quem me conhece sabe que detesto os sábados; eles são chatos, enfadonhos e compridos. Gosto da semana, porque toda a movimentação, o dia a dia com as turbas de gente (no ônibus, no ponto, nas ruas), me faz muito bem. Então, consequentemente, o sábado me dá tempo de pensar. O que, particularmente, gostaria de dar um "pause". Há coisas que não quero refletir, nem tomar nota nem espairecer a mente. Mas, hoje, refletindo no que muitos designaram como "amor próprio", cheguei a seguinte conclusão: é isso mesmo. O amor próprio é uma armadura fantástica contra esse mundo tão difícil. Crise existencial acaba com esse amor, não é mesmo? Ficar pensando se o amor da sua vida ainda te ama e quer ficar com você, se seus amigos ao menos lembram de você (o que parece que não, considerando que ninguém pergunta de você), se a falta da tal da reciprocidade é o mau do século, se sorrir sempre e esconder o desespero foi um erro, porque talvez mostre que você não tem fragilidade (sendo que, atrás da superfície, você é um broto novo de flor), se a faculdade vai dar certo, se você vai arrumar um emprego, se o amanhã será melhor do que hoje... O que fazer pra que esse amanhã seja melhor... São tantas coisas que os dedos chegariam a doer se ficasse discorrendo sobre isso. Mas, num epifania desmedida e inesperada, concluo que o segredo da vida é pensar em si, mas não com pena ou piedade, mas com orgulho e companheirismo.

Se as pessoas não sorriem de volta, dane-se elas: continue sorrindo. Se os amigos não te procuram, pra ver como você estão, não declare ao mundo como você está; nem todos merecem conhecer a sua dor. Se o amor não está igual como era, faça sua parte e controle as emoções; ame até o ponto em que isso te faz bem, e não até o sofrimento por não ter a recíproca desejada. Esforce pela faculdade, estabeleça um plano, idealize algo. Corra atrás dos seus pequeníssimos sonhos, independente da insignificante aparência deles para os outros.

Ah, caro leitor! Não tenho vinte anos ainda. Sou jovem e inexperiente. Mas aprendi muitas coisas até hoje. Por exemplo: nem todos sentem na mesma intensidade; enfrentar um leão por dia é essencial; sorrir faz bem pra alma e contagia; confiar é preciso, mas ter cautela é necessário; nem todos merecem conhecer sua dor; a adrenalina e o desespero passam; se auto administrar é importante: domine seus sentimentos: logo tudo passa; no dia seguinte, tudo melhora; a vida, ah, ela é bem mais vida de manhã, como disse o poeta; nenhuma dor é pra sempre; amar? É uma delícia! Cultive!

E, acima de tudo, independente do ângulo da vida, da situação, de quem, quando ou onde, Eleanor Roosevelt nos ensinou uma grande lição: ninguém, ninguém pode fazê-lo se sentir inferior sem o seu consentimento. E eu completo: nem você mesma. Então, cuide de si mesmo; sentir de tal forma que machuca não é bom; criar paranóias, menos ainda. Sinta e viva até onde aguentar; a partir disso, é se machucar sozinho.

Cultive e espalhe amor próprio. É aos poucos que as coisas se ajeitam.

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